Sobrevivente

 

por Ana Aranha

O povo Karipuna teve dezenas de aldeias espalhadas pelo rio Madeira, no interior da floresta, rasgada pela primeira vez para a passagem da ferrovia Madeira Mamoré. Hoje são pouco mais de vinte pessoas. As memórias do extermínio são frescas, e foram contadas pelo mais velho do grupo na língua Karipuna. Ele e sua irmã recusam a língua imposta pelos assassinos. Por isso um dos jovens traduz suas palavras, mudando a tradição da hierarquia ao assumir a liderança da aldeia indígena.

As histórias contadas pelos mais velhos parecem saídas de um filme de terror: homens assassinados na frente de suas famílias, fogueiras com pilhas de corpos, mulheres e filhas sequestradas. Ouvimos atônitos, enquanto o ancião alterna os relatos com repetidos pedidos de ajuda financeira para a aldeia – a única língua que os invasores conseguiram lhe ensinar.


Série numerada AHé

  • Série de 12 imagens de autoria de Marcelo Min

  • Fotografias realizadas em 2012 em viagem a Jaci Paraná (RO)

  • Curadoria: Marcello Vitorino (2017)
  • Impressão com pigmento mineral sobre papel 100% algodão Hahnemühle Photo Rag Baryta
  • Impressas no Espaço opHicina, em São Paulo
  • Tiragem: 2PA + 10 (para cada formato)
  • Formatos: 50 x 75 cm, 30 x 45 cm e 100 x 150 cm
  • Cópias assinadas e numeradas
  • Acompanham certificado de autenticidade

 


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