Foto: Leonardo Wen

MARCELO MIN

Marcelo Min, fotojornalista (São Paulo, 28/04/1969 – 27/09/2015)


Marcelo Min dedicou-se ao fotojornalismo durante 20 anos, sempre de forma independente, atuando em revistas como Época, Globo Rural, PEGN, Isto É, INFO, Galileu, Casa Claudia, Arquitetura & Construção, Nova Escola e Notícias da Fiesp. No jornalismo diário, colaborou com a Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e o Diário do Comércio.

Desde as primeiras experiências como fotógrafo, tornou-se íntimo do universo peculiar do centro de São Paulo, onde nasceu e cresceu, filho de imigrantes coreanos que prosperaram como comerciantes de sapatos e roupas na rua do Arouche. Nos arredores da Sé, Luz e República, Marcelo retratou moradores de rua, manifestantes, policiais, comerciantes, camelôs, crianças, velhos, deficientes e outros personagens urbanos, documentando em especial a miséria, os conflitos por moradia e infância perdida nas ruas da região.

Em 2002 criou um dos primeiros blogs brasileiros de fotojornalismo: o Fotogarrafa. Dez anos antes dos celulares com câmera e das redes sociais, era nesse blog que ele publicava suas experiências com a recém-criada tecnologia da fotografia digital. Diariamente, caminhava pelas ruas de São Paulo, voltando seu olhar para personagens – em geral, anônimos – do cenário urbano, numa série de imagens que chamou de ‘fotogarrafas’.
Entre 2005 e 2007 manteve um pequeno estúdio no edifício Esther, ícone modernista na Praça da República, período em que realizou um intenso mergulho na dinâmica da região central e se aproximou ainda mais de seus personagens.

Na periferia, documentou a popularidade do rap dos Racionais MC’s e de seu vocalista Mano Brown, em festas que atraiam multidões, o crescimento do islamismo entre jovens negros do gueto, e acompanhou o fortalecimento do movimento cultural liderado por Sérgio Vaz no Sarau da Cooperifa.

Em dupla com Eliane Brum, notabilizou-se por suas fotos de pacientes à beira da morte, em reportagem sobre uma enfermaria de cuidados paliativos para a revista Época. Na outra ponta da vida, o nascimento, documentou vários partos humanizados, motivado pelo nascimento de seus filhos Arthur (2007) e Pedro (2010). As imagens foram reunidas e publicadas no livro Parto com Amor (Panda Books, 2011), realizado em coautoria com sua mulher, a jornalista Luciana Benatti, com quem se casou em 2006, no topo de um prédio – onde mais? – no centro de São Paulo.

Autodidata, ao longo da carreira fez duas grandes viradas, migrando com tranquilidade do negativo para a fotografia digital e desta para a captação e edição de vídeo. Era meticuloso com a edição de suas fotos e com a organização e a preservação de seu acervo, tarefas às quais sempre se dedicou com afinco.

Morreu repentinamente, aos 46 anos, de um aneurisma fulminante, deixando um importante acervo de negativos, fotografias e vídeos digitais, que compõem uma parte importante da iconografia da cidade de São Paulo e de seus habitantes.